Iphan inaugura sinalização de cemitério quilombola em Tocantins

Iphan inaugura sinalização de cemitério quilombola em Tocantins

 

O Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Vernáculo (Iphan) inaugurou a sinalização do Sítio Arqueológico Campo Santo do Bom Jardim (TO) . Os vestígios estão na Comunidade Quilombola de Rio Preto, entre Lagoa do Tocantins e Novo Consonância. A inauguração fez secção de uma série de ações da Secretaria de Povos Originários e Tradicionais ( Sepot ), no contextura do programa Aquilomba Tocantins.

Para a superintendente do Iphan em Tocantins, Cejane Pacini, a identificação do sítio possibilita à comunidade quilombola o recta aos seus lugares de memória e o recta à fruição da cultura. “Esta ação também permite despertar outros olhares para a volubilidade cultural do Tocantins e valorizar os afrodescendentes que contribuíram para a formação do território tocantinense”, continua a superintendente.

Vida, morte e relação com o território

O idoso cemitério do Campo Santo funcionou por tapume de centena anos. A sepultura mais antiga identificada data de 1916, sendo provável, ainda, possuir enterramentos mais antigos. Estima-se que o último sepultamento ocorreu em 2013. São vários os tipos de túmulos observados no cemitério, uma vez que o simples ajuntamento de pedras canga formando montículos, cercados de pedras, lápide de pedra aparelhada, cruzes de madeira fincadas no solo, entre outros.

Essa volubilidade de tipos de túmulos, que provavelmente é revérbero das relações sociais da comunidade, faz o Campo Santo do Bom Jardim sensacional no contexto dos cemitérios rurais do Tocantins. Enfim, o mais geral é encontrarmos ajuntamentos de pedra canga marcando o sítio onde o sujeito foi sepultado.

“Ao identificar e festejar levante patrimônio arqueológico, o Iphan e a Sepot colocam em prática sua missão institucional de proteger o Patrimônio Cultural dos povos e comunidades tradicionais”, afirma o arqueólogo do Instituto em Tocantins, Rômulo Macedo.

De negócio com os quilombolas, os indivíduos eram enterrados no Campo Santo do Bom Jardim com a cabeça voltada para o oeste, ou seja, para o lado onde o s ol se põe, uma clara referência à vida que se finda. Nesse cemitério eram enterrados somente aqueles com mais de nove anos de idade. Os indivíduos inferior dessa idade, os anjinhos, os inocentes, são enterrados em outro sítio, no Campo dos Anjos.

Rita Lopes, liderança da Comunidade Quilombola Rio Preto, considera a identificação do sítio um marco importante para a preservação da memória de seus ancestrais. “No início dessa luta, o meu sentimento era de apagamento, porque estávamos sofrendo ataques, risco de morte e nossas memórias também estavam correndo risco de sumir. É importante ver que pelo menos as nossas memórias estão resguardadas”, disse.

Lançado nesta semana, o Aquilomba Tocantins tem o objetivo de promover medidas intersetoriais para a garantia de direitos da população quilombola do e stado. Envolve diversos órgãos do Poder Executivo Estadual e é coordenado pela Secretaria dos Povos Originários e Tradicionais. Seus princípios incluem chegada à saúde e ensino específicos para os quilombolas, proteção dos direitos territoriais, transversalidade de gênero e raça, saudação à autodeterminação e modos de vida tradicionais, entre outros.

O programa compreende ações em cinco eixos temáticos: gestão territorial, infraestrutura, informação, segurança, saúde e ensino. Os objetivos incluem demarcação e gestão de territórios, segurança nutrir, fortalecimento da ensino quilombola, chegada à saúde, proteção do patrimônio cultural, entre outros.

Por: Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Vernáculo (Iphan)